Dia de Solidariedade Internacional Feminista contra as Empresas Transnacionais

Dia de Solidariedade Internacional Feminista contra as Empresas Transnacionais

O Fórum Mulher, em articulação com a Marcha Mundial das Mulheres, assinalou esta quinta-feira o Dia de Solidariedade Internacional Feminista contra as Empresas Transnacionais, juntando activistas e membros da organização num momento de reflexão, denúncia e reforço da solidariedade global.

 

A data, que integra o calendário internacional de luta feminista, foi marcada por uma homenagem às mais de mil vítimas na sua maioria mulheres do colapso do edifício Rana Plaza, no Bangladesh, em 2013. O desastre, ocorrido numa fábrica têxtil que produzia para marcas globais, continua a ser um símbolo das consequências de um sistema económico que privilegia o lucro em detrimento da vida.

 

Durante o encontro, as participantes destacaram que o Rana Plaza não foi um acidente isolado, mas sim o resultado de um modelo global de exploração que permanece activo, intensificado e normalizado. Esse sistema manifesta-se em diferentes sectores e territórios, desde a indústria têxtil até às zonas de exportação, onde mulheres continuam a enfrentar salários baixos, condições de trabalho precárias e repressão quando se organizam para reivindicar os seus direitos.

 

No contexto moçambicano, foi sublinhado que estas dinâmicas também se fazem sentir, com muitas mulheres inseridas em cadeias de trabalho marcadas pela informalidade, baixa remuneração e ausência de garantias laborais. As participantes chamaram ainda a atenção para o papel de algumas empresas transnacionais e interesses económicos estrangeiros na reprodução de práticas que aprofundam desigualdades sociais e de género.

 

Para além das questões laborais, o encontro abordou o impacto mais amplo das empresas transnacionais na vida das comunidades. Em sectores como a pesca industrial, a aquacultura e o extractivismo, estas empresas têm contribuído para a degradação ambiental, contaminação de recursos naturais e deslocação de populações, afectando de forma desproporcional as mulheres, que assumem a responsabilidade de sustentar as famílias e garantir a sobrevivência em contextos cada vez mais adversos.

 

Outro ponto de destaque foi a crescente ligação entre o poder corporativo, a militarização e a expansão do complexo militar-industrial, considerado um dos maiores responsáveis pela poluição global e pela intensificação de conflitos. Segundo as participantes, a resposta às crises globais, incluindo as alterações climáticas, tem sido marcada por maior controlo, vigilância e securitização, frequentemente em aliança com grandes corporações e empresas tecnológicas.

 

Neste contexto, foi também referida a actuação das grandes empresas tecnológicas (Big Tech), cuja crescente influência contribui para a expansão de sistemas de vigilância e controlo, reforçando desigualdades e limitando direitos, ao mesmo tempo que a violência estrutural é frequentemente invisibilizada ou normalizada.

 

O encontro destacou ainda os impactos do actual contexto geopolítico, incluindo sanções económicas, conflitos armados e intervenções internacionais, que agravam as condições de vida das populações e colocam desafios adicionais às mulheres, muitas vezes na linha da frente da sobrevivência e da resistência.

 

Apesar dos desafios, foi reforçada a importância da organização colectiva e da solidariedade feminista internacional. Em diferentes partes do mundo, mulheres têm-se mobilizado para defender os seus direitos, proteger os seus territórios e construir alternativas baseadas na justiça social, na sustentabilidade e no cuidado.

 

As participantes defenderam que a terra, a água e os direitos das comunidades representam uma luta feminista central, assim como o combate à militarização e às desigualdades estruturais. Nesse sentido, apelaram ao fim da violência corporativa, à responsabilização das empresas transnacionais e à construção de um modelo de desenvolvimento centrado na dignidade humana.

 

O Fórum Mulher concluiu com um apelo à justiça para todas as vítimas de violência corporativa, defendendo uma abordagem baseada no cuidado, na vida colectiva e na soberania dos povos, em oposição a um sistema orientado pelo lucro e pelo controlo.

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