Mulheres Rurais pedem segurança de posse de terra e melhores condições de produção

“Trabalhamos dentro de muitas dificuldades, as chuvas intensas e a salubridade do mar têm sido um desafio grande para nós. Devido à gradual salubridade da água que usamos para regar, as nossas plantas não ficam bonitas”, é o desabafo de Palmira Chinvoleka, secretária da Associação dos Camponeses 7 de Abril de Marracuene, na província de Maputo. Este desabafo foi feito durante a visita da Rede Internacional das Margaridas, a ONU Mulheres e o Fórum Rural Mundial decorrida na manhã da sexta-feira, 21 de Abril, em Maputo.

Além da contaminação da água do regadio, a falta de material adequado para o trabalho, como o caso de tratores, botas, adubos contra pragas e um mercado fixo de comercialização dos produtos de colheita ainda constituem grandes desafios.

A visita das mulheres rurais dos países da CPLP surge no âmbito de elaboração da Declaração do Movimento das Mulheres Rurais do Mundo e do documento sobre as principais demandas desses movimentos.

O encontro além de criar espaço de interacção entre as mulheres tinha como principal objectivo identificar os pontos em comum da situação das mulheres da agricultura familiar e camponesas, assim como colectar contribuições para a Declaração entre as representantes dos países que participarão no evento.

Durante a visita, as camponesas da Associação 7 de Abril aproveitaram o intercâmbio para mostrar como conservam as sementes de modo a evitar perda até à época seguinte. Para Rebeca Mabui, representante do Fórum das Mulheres Rurais, FOMUR, a visita serviu para aprender das experiências dos outros países. “Foi um ganho importante para mim, percebi que não estamos sós, que existem outras mulheres rurais e que também passam por desafios, mas estamos juntas e vamos lutar pelo direito e pela posse da terra”, disse.

A Associação das Camponesas de 7 de Abril é composta por cerca de 75 membros dos quais apenas três homens. Estas mulheres rurais trabalham na zona baixa de Marracuene, antigamente grande zona de produção agrícola, que actualmente tem sido assolada pela contaminação da água do mar e, consequentemente, reduzindo a quantidade de produção.

 

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