Mensagem de Solidariedade as vítimas do Ciclone IDAI

Nós mulheres, articuladas pelo Fórum Mulher-Coordenação para a Mulher no Desenvolvimento, tomamos conhecimento da catástrofe causada pelo ciclone IDAI na zona centro do país, afectando as províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Tete.

A cidade da Beira foi na sua maioria engolida pela fúria das águas e a região encontra-se praticamente incomunicável com o resto do país. Na sequência deste desastre natural muitas famílias perderam os seus ente queridos e todos seus bens. O luto e desgraça foi semeado nas nossas  vidas e nas comunidades.

Nós, mulheres, raparigas, idosas e crianças somos as maiores afectadas nesta situação de crise humanitária. Com o nosso papel social de “cuidadoras” somos nós quem nos desdobramos  nos centros de acolhimento pra cuidar dos doentes, feridos e crianças, colocando-nos muitas vezes em último lugar,  mesmo quando em situação de gravidez/aleitamento onde precisamos de maior cuidado. Somos também as mais vulneráveis à situações de assédio, abuso e violência sexual. Assim, estamos mais expostas ao risco de contrair doenças como a malária, a cólera e ainda o HVI. Lidar com questões básicas como a nossa higiene menstrual é igualmente um desafio nestes contextos e a maioria do apoio oferecido não toma em consideração estas necessidades particulares e exclusivas para nós.

Países vizinhos como o Zimbabwe e Malawi também sentem na pele os efeitos do ciclone. Dados partilhados pelos pelo jornal O País, de 25 de Março, dão conta que que mais 761 pessoas perderam a vida, vítimas do ciclone, nos três países, sendo que 446 são de Moçambique. Mais de 109.733 moçambicanos estão nos centros de acolhimento e cerca de 90.000 alunos sem aulas.

Informações dão conta que mais de 1276 KM2 de terra foi inundada. O que nos leva a assumir que enfrentamos também o início de uma crise alimentar sendo que é nestas terras onde as comunidades, na sua maioria mulheres, praticavam a agricultura familiar como fonte de alimentação e renda para  suas famílias para além de contribuir com cerca de 90% em produtos alimentares para as famílias moçambicanas que vivem nos centros urbanos.

Neste contexto, movidas pelo princípio de solidariedade que nos orienta como rede de mulheres da Marcha Mundial das Mulheres de Moçambique articuladas e coordenadas pelo Fórum Mulher,  mobilizamo-nos para recolha de apoio às vítimas do ciclone, em particular para as mulheres, raparigas, idosas e crianças, nomeadamente. Erguemos igualmente as nossas vozes para reafirmar, mais uma vez, que somos somos fortes que o ciclone! Somos todas pela Beira, Manica, Tete e Zambézia. Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

 

Descrição

Nós mulheres, articuladas pelo Fórum Mulher-Coordenação para a Mulher no Desenvolvimento tomamos conhecimento da catástrofe causada pelo ciclone IDAI na zona centro do país, afectando as províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Tete.

Data

2019

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