Criada plataforma para impulsionar participação da mulher em processos políticos

 

O Fórum Mulher, em Coordenação com o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), lançou na passada, quarta-feira, 17 de Julho, em Maputo, a Plataforma Mulher, Eleições e Governação, um mecanismo que visa, dentre vários aspectos, observar o processo eleitoral em curso no País, tendo como base a perspectiva de género, de modo a impulsionar a inclusão e participação das mulheres nas diferentes fases do processo, tendo ainda em conta o grau de envolvimento e desafios enfrentados por elas nestes eventos.

A plataforma, que congrega diferentes organizações e grupos da sociedade civil, surge da constatação/necessidade de visibilizar o papel e a perspectiva das mulheres e das raparigas nos processos eleitorais e no ciclo de governação como um todo. A criação desta plataforma é dinamizada por Organizações da Sociedade Civil (Fórum Mulher, Muleide, Olho do Cidadão, ASCHA, AMCS, Gender Links, IMD, AMMCJ, NAFEZA), que trabalham na promoção dos Direitos da Mulher e Raparigas.

Há que destacar ainda que, durante este processo, as organizações irão realizar sessões de formação sobre os instrumentos de governação e sobre as áreas relevantes, e também encontros com o governo de modo a avaliar o grau de inclusão das questões de género durante a implementação das políticas públicas, e ter como no fim do quinquénio poder Moçambique como um exemplo que tem boas prácticas no que diz respeito à inclusão quantitativa e qualitativa da mulher nos processos de governação.

De acordo com a Presidente do Fórum Mulher, Rafa Machava, a plataforma vai contribuir para a sensibilização dos partidos políticos e suas lideranças para incluírem mulheres e raparigas em lugares cimeiros nos processos eleitorais, manifestos eleitorais e na governação, bem como na exortação para a realização de eleições pacíficas, ordeiras, credíveis e sem violência.

Há quem possa pensar que esta é mais uma plataforma que não trazer nenhum resultado no entanto esta plataforma vai contribuir para a mudança de paradigma da visão que os partidos políticos devem ter em relação ao envolvimento da mulher”, disse Machava, para quem a mulher é quem faz a política em Moçambique, pelo facto de ser ela que adere massivamente às campanhas eleitorais, mobiliza as massas e faz eleger os homens, embora considere que o seu contributo não é reconhecido. “Mesmo assim, depois é relegada ao último plano quando se trata de ganhos após eleições”, acrescentou.

Para Machava, com esta Plataforma a mulher, independentemente da cor partidária ou da filiação política, tem um espaço e para ir além do que faz neste momento, precisa-se, segundo ela, de mais mulheres governadoras, ministras, presidentes dos municípios entre outros cargos de destaque.

Segundo avançou, a ideia de criação desta plataforma surge dos esforços e do trabalho que diversas organizações da sociedade civil vêm realizando em prol da mulher e, neste caso, pretende-se que este esforço seja concertado e organizado em prol da mulher na política.

“Esta Plataforma pretende acompanhar o processo eleitoral que se avizinha, tendo como base a perspectiva de género com vista a promover a inclusão e participação das mulheres nas diferentes fases do sufrágio universal, desde a sensibilização, advocacia, observação eleitoral para que as mulheres possam participar efectivamente no processo”, disse Machava tendo adicionado que “espera-se com este mecanismo que os Partidos políticos estejam conscientes e adoptem a perspectiva de género nos processos de elaboração dos manifestos eleitorais e que os órgãos de gestão eleitoral abram espaço para que as mulheres possam influenciar nos processos”.

Por sua vez, o Director Executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, disse que a Plataforma Mulher, Eleições e Governação vai constituir um pilar de fortalecimento da sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral conjunta e no apoio aos organismos de gestão eleitoral, assim como aos actores políticos a serem sensíveis à mulher.

Segundo Mulhovo não se trata de moda de participação da mulher na política, mas sim uma necessidade para uma sociedade mais equilibrada e pacífica, por isso que esta é constituída por uma diversidade de organizações.

“A ideia não é que as mulheres devem constar das litas eleitorais, os partidos políticos devem ver em que posições colocam as mulheres se querem que elas sejam efectivamente eleitas, elas devem ser envolvidas em todas do processo”, disse o Director Executivo do IMD, ajuntando que o IMD continuará a trabalhar com estas organizações para fortalecer a assistência para a participação activa da mulher na política, não somente nas eleições, mas também no período pós-eleitoral em prol do equilíbrio.

Na Cerimónia de lançamento da Plataforma Mulher, Eleições e Governação ficou assente que as agendas dos partidos políticos devem ser consentâneas com a agenda global e que para que se efective os desideratos de valorização das capacidades das mulheres, o trabalho deve iniciar na família promovendo a equidade de género.

Por seu turno, Ana Rita Sithole, em representação da Frelimo, garantiu que no seu partido cinco Províncias, nomeadamente, Nampula, Inhambane, Gaza, Maputo-Província e Maputo-Cidade, as listas são encabeçadas por mulheres. “Nas nossas listas, a mulher ultrapassou a barreira dos 35%, que é a barreira estatutária. E agora estamos a tentar incluir as mulheres jovens pois precisamos de puxar por elas e traze-las à arena política”, disse.

O evento também contou com a participação de personalidades de organizações da sociedade civil filiadas ao Fórum Mulher, a Sala da Paz, o IMD e os representantes de partidos políticos parlamentares e extraparlamentares, os quais mostraram-se unanimemente receptivos e enalteceram o lançamento da Plataforma tendo, comumente, assegurado que apesar das adversidades há uma tentativa da valorização do esforço da mulher nos respectivos partidos políticos.