Fórum Mulher participa da IV Conferencia Triangular dos povos: Moçambique, Brasil e Japão

 

O Fórum Mulher participou da IV Conferencia Triangular dos Povos: Moçambique , Brasil e Japão, que decorreu na cidade de Tóquio, de 20 a 22 de Novembro, no âmbito da Campanha Não ao Prosavana, da qual o organização é membro desde 2014. O evento que  durou 4 dias , contou coma presença de Cerca de 13 delegadas das organizações da sociedade civil moçambicana e membros da Campanha Não ao Prosavana tais como a Livaningo, ADECRU, Justiça Ambiental e CAPUJANA. 
O objectivo era de criar uma oportunidade de debate entre os membros da Campanha Não ao Prosavana dos três países sobre os investimentos na área agrícola; dialogar de forma transparente com as autoridades Japonesas sobre os modelos de produção agraria, propostos pelo programa Prosavana,  em Moçambique, e Matopiba no Brasil,  e sobre o impacto dos mesmos na vida dos agricultores.

O Prosava é um programa dos governos do Japão, Brasil e Moçambique que propõe a produção em grande escala de commodities para o benefício do capitalismo, ao longo do corredor de Nacala e em algumas zonas da província da Zambézia e Niassa. O Programa não respeita as formas de produção local, as sementes nativas e não respeita as consultas comunitárias previstas na lei de terras.

Durante os encontros com as organizações da sociedade civil Japonesa,  o  Ministério das Finanças (MOF), o Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), ), o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão (MOFA), e a Agência Japonesa para a Cooperação Internacional (JICA) os camponeses exigiram a retirada imediata do Programa  Prosavana,  dos investimentos japoneses e Brasileiros ao longo do corredor de Nacala pois entendem que estes não ajudam no desenvolvimento da agricultura nacional e não reflectem as necessidades dos moçambicanos. “O vosso investimento esta a semear luto no nosso pais. O vosso dinheiro tirou nossas terras e nosso principal meio de transporte que é o comboio. A construção da linha férrea separou-nos das pessoas que viviam próximas a nós e que visitávamos sempre. Tirou-nos um mercado, local onde conseguíamos vender nossos productos e ganhar algum dinheiro pois, antes dessa linha o comboio transportava pessoas e paravam onde  nós vendíamos mas agora já não podemos”, disse Justina Wiriamo, camponesa e Vice presidente da UPC Nampula.

Em Moçambique a agricultura é a base de desenvolvimento, sustento e principal fonte de renda de muitas famílias nas zonas rurais, contribuindo com 25% ao Producto interno bruto. A maior parte de população nacional sobrevive com base na agricultura, garantindo a porducao de cerca de 70% de culturas alimentares, (mandioca, batata-doce, milho, arroz, mapira, mexoeira e leguminosas) o que significa que o sector Industrial apenas contribui com 30% de culturas alimentares, sendo que as culturas alimentares representam 90% da produção total das culturas.

Para Costa, presidente da UPC Nampula, projectos como Prosavana não melhoram a qualidade de vida das comunidades pois retiram destes a sua única fonte de rendimento. “Não temos terra suficiente em Moçambique. A terra que nós temos é para moçambicanos. O nosso banco é a terra. Todo o dinheiro que nós temos vêm da terra. A terra é a única coisa que temos”, afirmou.

Helena Terra, camponesa da UPC  Zambézia, também juntou-se as vozes de Justina e Costa reafirmando sua dependência pela terra como única fonte de sustento.  “Nós camponesas somos trabalhadoras da terra. Com enxada de cabo curto, cultivamos dia e noite para alimentar as famílias rurais e urbanas. Se nos tiram a terra o que nos resta? O que será de nós?”, questionou a camponesa.

Vanessa Cabanelas, da Justiça Ambiental, membro da campanha Não ao Porsavana, disse que o diferencial desta conferência, em relação as outras, foi o facto de ter dado a Campanha Não ao Prosavana oportunidade de interagir com representantes da JICA. “Finalmente, ao fim e 4 conferências triangulares, tivemos a oportunidade de interagir com os representantes da JICA, não tivemos nenhum compromisso da parte deles mas deixamos ficar o nosso posicionamento sobre o Prosavana, e já não podem dizer que não tem conhecimento dos protestos que tem a ver com este programa”.

Ate o momento, a JICA, afirma que já investiu cerca de 6,7 milhões de dólares só para criação do Plano Director. Ao fim de dias de debate com representantes japonese, sociedade civil, académicos e órgãos de comunicação social a Campanha Não ao Prosavana elaborou uma declaração com todas as demandas da Campanha de Moçambique, Brasil e Japão e pode ser lida na integra em: http://forumulher.org.mz/slideshow/reiteramos-a-rejeicao-ao-prosavana-e-ao-matopiba-e-defendemos-a-soberania-alimentar-dos-povos/