Fórum Mulher participa da 18ª Cimeira dos povos da SADC em Windhoek

 


Numa delegação composta por 11 participantes, membros da rede, movimento de mulheres, o Fórum Mulher participou durante os dias 16 e 17 de Agosto, da 18ª Cimeira e dialogo dos povos da SADC, que decorreu em Windhoek, capital da  Namibia, sob o lema “ Reclaiming SADC, economic and political justice , free movement and use of natural resources for youth employment, affordable land housing for all”. Ou seja: “Recuperando a justiça econômica e política, livre circulação e uso de recursos naturais para o emprego de jovens, moradia de custo acessível para todos”.

O evento juntou organizações da sociedade civil de vários países da região Austral para debater sobre
a usurpação de terras, sementes geneticamente modificadas, violência baseada no género, participação política das mulheres, mudanças climáticas, justiça, recursos naturais. A Cimeira dos povos mais denominada “Cúpula dos povos” é uma plataforma de movimentos sociais representando países sob o bloco sub-regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Os Movimentos Sociais representam sectores conscientes sociedade  envolvidos em várias formas de luta e resistências  contra um sistema que atenta os direitos humanos, em particular da mulher, no caso concreto do Fórum Mulher.

Na abertura todos os países sobem ao pódio para apresentar, de forma colectiva, ao público as suas principais demandas e pedidos de solidariedade.

Em representação a Mulher na industria Extractiva moçambicana, Rosete, membro da Hikone moçambique, exigiu que a mulher fosse inclusa nos debates sobre exploração de recursos naturais e mineiras. “Exigimos que a exploração de recursos naturais e minerais seja feita de forma a não prejudicar as mulheres que vivem nessas comunidades. O governo ao conceder zonas para exploração deve ter em conta que já existem pessoas residentes que devem ter condições dignas mesmo depois do reassentamento. Que sejam criadas as condições para que nas novas zonas de residências tenham unidades sanitárias dignas, escolas com condições mínimas e que os reassentados possam continuar com as suas actividades económicas”, disse.

Por seu turno, Aida Nhavoto, do Fórum Mulher, em representação das jovens e raparigas de Moçambique exigiu segurança e livre circulação para jovens e raparigas. “ Exigimos que o governo disponibilize transportes públicos dignos e seguros para nós. Não queremos ser violadas e abusadas nos autocarros. Demandamos ruas e estradas seguras para nós, as noites não foram feitas só para os homens, queremos o direito de ir e voltar em segurança”, exigiu.

Nhavoto foi mais fundo clamando pelo direito de escolha e não controle dos corpos das mulheres. “Os nossos corpos nos pertencem, não somos objectos do homem. Queremos escolher entre casar ou não, queremos decidir sobre os nossos corpos, se queremos ou não ter filhos, e não sermos julgadas em função da nossa fertilidade. Exigimos o direito de escolher os nossos parceiros e a nossa orientação sexual.  Que não sejam tomadas decisões sobre nossas vidas sem nós. Nossos corpos, nossas regras”, acrescentou.

Durante a facilitação da Rural Women Assembley, mulheres rurais debateram sobre os novos desafios que se colocam a classe campesina.

O acesso a terra, a entrada massiva do agronegócio, a usurpação de terras e a introdução agressiva de sementes geneticamente modificadas foram levantados com problemas que tem vindo a se colocar para as mulheres rurais a nível da região.

Lizete Mucasse, mulher rural de Chokwé diz que esta foi mais oportunidade para partilhar seus aprendizados com as mulheres da SADC. Mucasse também vende chinelos com detalhes africanos que aprendeu a fabricar num dos encontros da SADC e afirma que além de aprender, na Cúpula, também tem usado desses espaços para vender seu produto e ensinar a outras mulheres as varias possibilidades de serem economicamente independentes.

Rosa Mutisse, representante do Fommur em Magude, afirma que com base no que ouviu nas discussões as mulheres rurais a nível da região sofrem de quase os mesmos problemas, por isso sugere que elas devem se unir, criar um mecanismo de partilha constante de ideias e experiências de como vencer e responder aos desafios do seu dia-a-dia. Mucasse acredita que só de forma conjunta e coordenada é que as mulheres podem vencer.

 

A Cimeira dos Povos decorre em paralelo à Cimeira dos Chefes de Estado e dos Governos da SADC. De um lado os lideres se sentam e concordam sobre implementação de  políticas econômicas, do outro lado os movimentos sociais  também se reúnem, para registrar sua resistência aos interesses capitalistas.

Depois dos debates foi produzida uma declaração e entregue ao Presidente da Namibiano, Hage  Gottfried Geingob, durante a Cimeira dos chefes de Estado que acontecia no mesmo pais.