V cimeira Nacional de Boas Praticas: engajamento na luta contra os casamentos prematuros

Autor do Texto: Gender Link

Edição: Fórum Mulher

William Mujovo – Representante da Diakonia

“A Diakonia tem dado capacitação e apoio a parceiros nacionais que desenvolvem actividades que visam erradicar a violência baseada no género e casamentos prematuros a nível das localidades e dos Distritos, locais com maior ocorrência destes fenómenos.

Trabalhamos com associações de mulheres e organizações que trabalham para a promoção de igualdade de género e inclusive as que integram o homem, pois, é exortado o envolvimento de todos. Temos providenciado capacitações temáticas, gestão de programas, temos provido gestão administrativa e financeira para que a população incremente o seu conhecimento e percepção sobre o problema.

O maior dos desafios está no facto de as mudanças socio-culturais não serem lineares, os casamentos prematuros são práticas culturalmente enraizadas, cuja mudança exige muito trabalho e tempo, e não  se pode prever quanto tempo se vai levar para erradicar.”

Cidália Chaúque – Ministra do Género Criança e Acção Social

Actualmente mais de 48% das raparigas no país casam-se antes dos 18 anos e o país ocupa actualmente a 10ª posição de cerca de 200 países no mundo e em África, perfila também os primeiros lugares dos índices mais elevados dos casamentos prematuros. Neste momento, estamos a reduzir a taxa através da retenção da rapariga nas escolas, como uma estratégia de combate de casamentos prematuros aprovada pelo Governo e Implementada por todos os seus parceiros, incluindo a Gender Links. Desta parceria o Governo vai implementar o Protocolo da SADC cujo maior objectivo é reduzir os índices de casamentos prematuros.

Os casamentos prematuros trazem como consequência as doenças nas crianças, como é o caso da Fístula Obstétrica, índices muito altos de pobreza, por isso a nossa principal estratégia é a educação, mas precisamos encontrar mecanismos de ter as raparigas na escola, formando rapazes e meninas para que percebam por si só que é possível elas decidirem o seu futuro.

As sensibilizações nas famílias são muito importantes, pois, têm de perceber quais são as vantagens de as raparigas casarem muito mais tarde, pois há casos de práticas tradicionais em que as crianças que são reservadas para o casamento em toda a parte. Nós encontramos mecanismos de que as raparigas decidam seu futuro por si só e não haja envolvimento das pessoas mais adultas.

O maior desafio que enfrentamos é a retenção da rapariga na escola, ter comunidades que percebem os males dos casamentos prematuros e encontrar sociedades capazes de envolverem-se e não permitirem a efectivação desses casamentos e a ocorrência violência, pois a violência baseada no género afecta as crianças e a toda uma sociedade e é difícil encontrar condições sãs quando as famílias são violentadas, então, a paz é condição para que as famílias reduzam o índice de casamentos prematuros. “

 

 

Maria Helena – Edil de Manjacaze

O município desenvolve um trabalho forte no âmbito da prevenção e combate dos casamentos prematuros, o que não quer dizer que não existam casos, mas temos trabalhado com a comunidade no sentido de encorajar. Desenvolvemos encontros com líderes religiosos, comunitários, grupos de mães e encarregados de educação, direcção das escolas, a todos os níveis. Criamos clubes juvenis e da rapariga onde falamos dos seus direitos e abrimos espaço para que possam expor problemas que eventualmente possam passar dentro da sua comunidade, ameaças da família a casar-se contra a sua vontade.

Neste âmbito registamos certa melhoria, os casos de casamentos prematuros estão a reduzir, o que nos encoraja a continuar com este tipo de acção pois, a participação social é importante e tem-se verificado. Contudo o maior desafio é de que as mulheres e a comunidade conheçam os seus direitos, e que sejam solidárias umas com as outras, por isso há que consciencializar todas as mulheres, homens, jovens sobre os direitos da mulher para o combate e prevenção da violência domestica e casamentos prematuros. “