HomeNoticiasRealizações

COMUNICADO EM TORNO DO “FIM DO ACORDO GERAL DA PAZ?”

Nós movimento de mulheres, Activistas, Organizações da Sociedade civil representadas pelo movimento de camponeses, Associações académicas, organizações de portadores de deficiência, organizações estudantis, sindicalistas e demais moçambicanos, condenamos os últimos acontecimentos que envolveram ataque a comitiva do líder da RENAMO, pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, e o consequente pronunciamento da RENAMO declarando a suspensão do diálogo no centro de conferencias Joaquim Chissano e fim do Acordo Geral de Paz assinado em 1992.

Esta situação deixou a todas nós e todo o povo moçambicano indignado, triste, revoltado, frustrado, assustado, impotente... De todos os lados, chegam-nos apelos de nossas irmãs e irmãos implorando: FAÇAM ALGUMA COISA PARA DETER ESTA GUERRA!

Temos acompanhado pelos órgãos de informação a tensão e o medo que se vivem, nas cidades e no campo. Famílias estão abandonando as suas residências em busca de refúgio nas cidades, deixando tudo para trás.

O que pensamos das pessoas que foram obrigadas a abandonar o leito do hospital, as crianças que tiveram de abandonar as suas escolas? As mulheres que estão a abandonar as suas machambas as suas casas e todos os seus meios de vida em busca de refúgio nas vilas e cidades? Que condições estão preparadas para acolher estas pessoas que buscam refúgio em lugar seguro? Que registos e controlo temos desta situação?

Recordamos que aquando dos ataques ocorridos em Muxungue, nós movimento das mulheres e várias organizações da Sociedade Civil endereçamos uma carta aberta ao Presidente da RENAMO, Afonso Marceta Dhlakama e ao ex Presidente da República Armando Emílio Guebuza apelando a um diálogo franco para buscar soluções pacíficas para o país e para o povo moçambicano, à Luz do Acordo Geral da Paz.

Ao longo destes meses que decorreram, temos acompanhando muitos esforços de mediação da paz através do diálogo, mas não temos visto progressos, pelo contrário, um agravamento das tensões entre as partes. A situação a que chegamos esta semana apanhou-nos de surpresa, e queríamos que não passasse de um pesadelo. Mas a situação que vemos é crítica, porque:

  • - Não temos informação fidedigna para apurar as responsabilidades sobre a acção beligerante;
  • - Não sabemos quantas pessoas armadas e quanto armamento está fora do controlo governamental;
  • - Sabemos que a indústria armamentista tem sempre interesse em encontrar mercados e uma situação de vulnerabilidade como esta, torna Moçambique e os Moçambicanos propensos e alvos desses fornecedores de armas;
  • - Os Recursos Naturais que são considerados a oportunidade para o progresso, são ameaça da “maldição da abundância”.
  • A traumatizante experiência com a guerra civil de 16 anos, faz-nos ter certeza de que não queremos mais a guerra. Por isso, isso exigimos:
  • - Que o Presidente da República, use dos poderes que a Constituição lhe confere para assegurar a manutenção da paz, tranquilidade e ordem pública, e evitar a eclosão duma guerra;
  • - Que reafirme a eminência e vigência do Acordo Geral da Paz, e retome um diálogo efectivo para trazer soluções pacíficas e fazer cumprir os Termos do AGP;
  • - Apelar ao Conselho Constitucional que sob nenhum pretexto autorize uma Declaração de Guerra.
  • - Que o governo tome medidas urgentes para garantir a segurança das mulheres, crianças e famílias forçadas a abandonar as suas residências nas comunidades afectadas pela presente tensão.
  • Chamamos a SADC e à União Africana para que tome medidas para evitar o agravamento da situação no país.
  • - Que a Comunidade internacional e às Nações Unidas usem da Diplomacia para contribuir para a manutenção da paz e tranquilidade em Moçambique - Não queremos mais capacetes azuis!

Somos Moçambicanos, somos um povo de paz e pela paz, vamos fazer valer este valor supremo que a muito custo construímos. Acreditamos na capacidade que todas e todos temos de reconhecermos os nossos limites, de dar um passo atrás e recomeçar.

Somos pela paz, queremos a paz para nós, para os nossos lares, para o nosso país e para o mundo!

Mais artigos...