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Papel da Mulher na prevenção da Violência


“O papel da mulher na prevenção da violência domestica”, foi o tema do debate que a Radio Moçambique, o mais antigo órgão de comunicação social, encontrou para dar continuidade as celebrações do dia da mulher moçambicana. O debate surge no âmbito das comemorações do mês da mulher moçambicana e é suscitado pelos recentes, poucos e isolados, casos de violência domestica contra os homens.
Assim, várias vozes uniram-se para debater o papel da mulher na prevenção da violência. Várias instituições foram convidadas a intervir neste evento desde o governo e a sociedade civil. O Fórum Mulher, como organização feminista que esteve sempre na vanguarda pelo fim da violência contra as mulheres, fez-se representar na pessoa de Directora Executiva, Nzira Razao de Deus, por parte do governo contou-se com a participação da Ministra do Género, Mulher e Acção social, Cidália Chaúque e Lurdes Mabunda, chefe do Gabinete de Atendimento às Vítimas da Violência Doméstica do Comando-Geral da polícia moçambicana.
Para Cidália Chaúque a escolha do tema é de extrema importância pois é um assunto de interesse social que vem se constituindo como um desafio no quotidiano da mulher e das organizações que lutam pelo fim da violência doméstica como o caso do Fórum Mulher.
Para Nzira de Deus falar do papel da mulher no combate a violência é desafiador pois o combate e prevenção da violência é uma responsabilidade que não pode nem deve ser incumbida particularmente a mulher mas sim a sociedade no seu todo portanto homens assim como mulheres. De Deus admite que os dados sobre violência doméstica, em particular contra a mulher são assustadores. Pois, só em 2016, por exemplo, foram registados nos gabinetes de atendimento à família e a menores vítimas de violência, 25.356 (vinte e cinco mil, trezentos e cinquenta e seis casos), dos quais 12.585 (doze mil e quinhentos e oitenta e cinco) contra mulheres comparados aos 3.329 (três mil e trezentos e vinte e nove de homens) e os restantes contra crianças, segundo o “País online” do dia 7 de Abril.
Esta grande diferença mostra claramente que a violência contra a mulher tem sido de maior incidência em relação a violência praticada contra os homens. O facto deriva da construção social, em que entende-se que a mulher tem um papel de responsabilidade maior na manutenção da relação afectiva, no casamento e até mesmo na família de tal forma que acabam construindo uma relação de submissão e consequentemente uma relação com desigualdades.

Relativamente a alguns casos de violência contra os homens, De Deus, deixou claro que o Fórum Mulher, assim como as outras organizações feministas, membros da organização, não aplaudem nenhum tipo de violência, incluindo a violência contra os homens. Mas, reiterou a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre os casos de modo a perceber todas as facetas possíveis que possam ter levado ao caso, entender o histórico de vida dos intervenientes no caso e avaliar com precisão a verdadeira vítima de violência.
Na ocasião, Cidália Chaúque explicou que apesar dos esforços e das campanhas contra a violência, os números não param, pois os números de vítimas tende a crescer a um ritmo impressionante.

2. Aumentam casos de violência domestica no país
Estão a aumentar casos de violência domestica em todo país. Dados partilhados pela Ministra do Género, Mulher e Acção social, Cidália Chaúque, indicam que só em 2016 houve um acréscimo de mil casos comparado ao ano anterior. Para a Ministra este aumento, galopante, de casos de violência doméstica é preocupante e é necessário que a sociedade desperte e tome atitudes concretas para reduzir este aumento.
“Não podemos permitir que estes caso desumanos e macabros se perpetuem no nosso país, não devemos aceitar que estes casos aconteçam de forma tao leviana. Todos somos chamados a agir e reflectir para manutenção da paz”, afirmou a Ministra.
Para a Ministra é urgente combater todo o tipo de ofensas físicas, morais e qualquer outro tipo de violência sobretudo contra a mulher, que segundo dados é a maior vítima de violência seguida das crianças e por último o homem. “Todos devemos estar envolvidos neste combate”, defendeu.
Por seu turno, Lurdes Mabunda, chefe do Gabinete de Atendimento às Vítimas da Violência Doméstica do Comando-Geral da polícia moçambicana, acredita que as actuais notícias sobre violência doméstica tendem a deturpar os pressupostos que já existem dentro da nossa sociedade e não trazem todos os lados da violência.

3. Desafios no combate a violência: Tentativa de diabolizar a Mulher
Para Mabunda a forma como tem sido noticiados casos de violência doméstica demonstram que há uma clara tentativa de diabolizar a imagem da mulher e explica as razões. “Temos estado a registar mais denúncias entretanto em relação a quem é mais vitima há uma tentativa de diabolizar a mulher e esta tentativa acaba tendo um efeito multiplicador porque a imprensa nos apresenta situações em que a mulher aparece, não importa em que circunstâncias, mas a cometer actos de violência que são de facto condenáveis”, explicou.
Lurdes acrescenta ainda que os casos de violência doméstica merecem um tratamento diferente pois é necessário que a sociedade olhe para estes casos e busque entender o que teria realmente acontecido e questionar a razão que teria levado a mulher a agir de uma determinada maneira, porém deixou claro que toda a atitude violenta tem suas repercussões independentemente de quem quer que seja tenha cometido. “ Condenamos de facto o crime que aconteceu, porque agressão física e moral é um crime mas nós que repensemos na nossa atitude, na nossa posição quando julgamos ou atendemos casos de violência”, retorquiu.
De acordo com a representante diariamente cerca de 35 pessoas apresentam queixas de violência domestica, factor este que é realmente preocupante pois em termo de denúncia a mulher ocupa o topo da lista. Só este trimestre, Janeiro a Março, deram entrada nos gabinetes de atendimento as mulheres vítimas de violência domestica cerca de 1998 mulheres, situação que considera alarmante. Contudo pequenas atitudes e acções podem ser tomadas como forma ou medidas para combater a violência

4. Como Combater a violência
A educação para a mudança social do comportamento constitui uma das estratégias mais privilegiadas e com mais probabilidade de sortir mais efeitos desejados pois a natureza subtil da violência, o elevado risco dessa violência evoluir de um estagio muito tolerável para um estagio muito agressivo, os pequenos actos, o espaço geográfico em que ela ocorre, a cohabitação entre os sentimentos hostis e afectuosos influenciam negativamente para o reconhecimento precoce da gravidade do problema. Prevenir a violência não é um acto de cobardia e tao pouco é de submissão e sim de heroísmo face as consequências, por vezes irreversíveis, que decorrem dos actos emocionais da violência. Deste modo, pequenos actos podem fazer muita diferença:
 Tendo como pressuposto que a violência resulta de pequenos episódios evitáveis e possíveis de prevenir, assim recomenda-se que a vítima encontre forma de sair de casa para procurar ajuda;
 As ocorrências extremas de casos de violência são geralmente súbitas e muitas vezes são catalisados pela nossa reação assim recomenda-se que conheça melhor o seu parceiro, a pessoa com quem convive para que identifique as diferentes situações e prever as possíveis reações e se possível buscar ajuda;
 Identifique sinais de comportamento violento e saiba que a violência doméstica não se corrige sem ajuda técnica, procure um psicólogo, exponha o problema e analise conjuntamente e de seguida tome uma decisão;
 Há tendências sociais de encontrar soluções à uma denúncia e ocultação de actos de violência, a família é uma alternativa de resolução de problemas sociais no entanto nem sempre ela resolve, por isso procuremos as autoridades para resolver;
 O abandono de um lar violento é um acto de inteligência, saiba que ninguém é penalizado por salvar a sua própria vida.

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