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4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

“Marchando para mudar vida das mulheres em Moçambique, em África e no mundo”

Moçambique

O que é a Marcha Mundial das Mulheres?

A Marcha Mundial das Mulheres nasceu no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. As ações começaram em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e terminaram em 17 de outubro, organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.

A inspiração para a criação da Marcha Mundial das Mulheres partiu de uma manifestação realizada em 1995, em Quebec, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.

Entre os princípios da MMM estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.

A Marcha busca construir uma perspetiva feminista afirmando o direito à auto-determinação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutamos para construir.

As mulheres do Quebec buscaram contatos com organizações em vários países, para compartilhar essa experiência e apresentar a proposta de criar uma campanha global de mulheres. Foram elas que marcaram as reuniões para discutir a proposta e definir as representantes para o primeiro encontro internacional da MMM, que aconteceu em 1998, em Quebec, e teve a participação de 145 mulheres de 65 países e territórios. Nesse encontro foi elaborada uma plataforma com 17 reivindicações para a eliminação da pobreza e da violência contra as mulheres. E ali foi convocada a Marcha Mundial das Mulheres como uma grande campanha a ser desenvolvida ao longo do ano 2000.

“Com essa marcha muita coisa vai mudar”

Aqueles eram tempos de pensamento único, o neoliberalismo era fortemente hegemônico e parecia não haver alternativa. As mulheres propuseram ir além do possível e ousaram seguir atuando juntas para construir a MMM como um movimento permanente, uma consequência das novas forças e sinergias mobilizadas em cada local.

Desde então, a MMM desenvolveu um método para a definição de consensos e uma forma de atuação que implica a construção permanente da relação entre o local, o nacional e o internacional. A preparação das ações internacionais, a cada cinco anos, marca processos de sínteses políticas da plataforma da Marcha.

1ª ação internacional, 2000
2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista!
A convocatória para a campanha realizada no ano 2000 teve um largo alcance e deu origem à construção da MMM como um movimento internacional. A ação mobilizou milhares de grupos de mulheres em mais de 150 países e territórios, em atividades de educação popular e manifestações públicas de apoio às 17 reivindicações mundiais.

2ª Ação Internacional, 2005
Mulheres em movimento mudam o mundo!
Para a ação de 2005, elaboramos a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade após um amplo debate e construção coletiva de uma posição comum entre mulheres, com diferentes experiências e culturas políticas. A Carta apresenta o mundo que queremos construir, baseado em cinco valores: liberdade, igualdade, solidariedade, justiça e paz.

A Carta iniciou sua viagem ao redor do mundo passou por 53 países e territórios. Nestes países, as Coordenações Nacionais da Marcha expressaram as suas lutas e propostas em um retalho de tecido. Estes retalhos foram sendo costurados em uma Colcha da Solidariedade, que foi concluída na última parada em Ouagadougou, Burkina Faso, um dos países mais pobres do mundo. Enquanto isso, ações foram realizadas em 17 de outubro, ao meio-dia, em cada meridiano, em uma vigília de 24 horas de Solidariedade Feminista. A “onda” começou nas ilhas do Pacífico (Nova Caledônia, Samoa e outras), foi para a Ásia, Oriente Médio, África e Europa simultaneamente, terminando nas Américas.

3ª ação internacional, 2010
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!
A Terceira Ação Internacional foi realizada em 2010. Os quatro campos de ação: Trabalho e autonomia econômica das mulheres; violência; bens comuns e serviços públicos; e paz e desmilitarização – concretizaram a plataforma da MMM. Esta ação teve três focos: expressar demandas nacionais por meio de marchas e/ou caravanas; marcar o 100º aniversário do Dia Internacional de Luta das Mulheres, por meio da recuperação da história de mulheres lutadoras; amplificar a voz das mulheres que sofrem violência em situações de conflito armado, e apoiá-las em seus esforços para expor as causas dos conflitos e encontrar soluções para superá-las. Mais de 100 mil mulheres de 75 países participaram em ações nacionais, regionais e internacionais.

A grande contribuição desta ação foi convidar as mulheres de todos os países a refletir sobre a militarização da vida cotidiana e sua relação com o modelo capitalista e patriarcal, bem como a visibilizar os interesses que existem por trás dos conflitos. O eixo paz e desmilitarização marcou as ações regionais na Turquia, especialmente pela contribuição das mulheres dos Bálcãs e das curdas, nas Filipinas e na Colômbia, onde ocorreram mobilizações diante das bases militares dos Estados Unidos.

O acto de encerramento da ação em Bukavu, na República Democrática do Congo, foi uma experiência única da diplomacia popular e da solidariedade internacional. Dez anos após a entrega das 17 demandas internacionais à ONU, a MMM questionou esta instituição no terreno em que atua, afirmando que os direitos das mulheres inscritos em convenções, tratados e resoluções da ONU só fazem sentido quando são reais para todas as mulheres do mundo.

Ações Realizadas em Moçambique

  • U   Realizadas 5 marchas nacionais para aprovação da lei da família e lei de violência domestica contra as mulheres;
  • U   2005 Submetemos uma petição com 15.000 assinaturas, ao chefe de estado e representantes máximos do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional;
  • U   Produzimos Boletins reportando nossas ações e caminhadas;
  • U   Efectuamos debates radiofónicos para falar da luta das mulheres contra a violência e exploração;
  • U   Realizamos festivais, feiras e jornadas desportivas para clamar pelo fim da pobreza e violência contra as mulheres;
  • U   Mobilizamos grupos de mulheres a aderirem a marcha mundial das mulheres a nível das províncias, distritos e localidades;

Conquistas 20 anos da Marcha Moçambique

Quando iniciamos o movimento, traçamos duas principais metas:

{  Aprovação da lei da família que garanta igualdade de direitos entre homens e mulheres;

{  Aprovaçao da lei que penalize a violência domestica contra as mulheres como um crime específico;

CONSEGUIMOS!!!!!! A nova lei de família foi aprovada em 2003 e a lei da violência doméstica em 2009! Estamos todas de parabéns!

Mas ainda há muito por fazer para que estas leis sejam implementada e muitas outras ações para que nos, as mulheres, deixemos de sofrer violência.

|  Temos que denunciar! Temos que pressionar para que as instituições de justiça funcionem bem! Temos que conseguir autonomia política e financeira!

Nós mulheres, ganhamos mais coragem para denunciar os actos de violência, particularmente a doméstica;

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