Histórias de Vida

Albertina Artur Luís é uma das beneficiárias das capacitações do Fórum Mulher no distrito de Mocuba, província da Zambézia. As formações pelas quais Albertina passou geraram grandes mudanças na sua vida e hoje considera-se uma mulher empoderada. “Estas formações ajudaram- me a ser emancipada, senti-me empoderada porque, para mim, empoderamento não é dar dinheiro.  O conhecimento é o principal poder que o ser humano devia possuir; melhorei a capacidade da minha gestão humana; percebi que estava sob uma grave situação de violência, então decidi separar-me para conseguir continuar a viver, ter saúde, vida e estudar e, graças a Deus consegui licenciar-me me Administração Pública e ter dois pedaços de terra”, explica.

Albertina é uma mulher de 49 anos que entrou no mundo do activismo em 1997 através da Associação Amudza, associação das mulheres domésticas da Zambézia e desde então nunca mais parou. Depois de um tempo na Amudza foi convidada a ser tesoureira desta associação. Enquanto colaborava com a Amudza, recebeu um convite para participar numa formação do Fórum Mulher e conta como esta foi marcante. “ Fui chamada para participar  numa formação do Fórum Mulher sobre género em 2003, em Maputo, onde conheci a Graca Samo e a Cristina Monteiro. Nesta formação fui em nome do Fórum das rádios Comunitárias, Forcom, e foi a minha primeira formação e uma das que mais me marcou. Outra formação que me marcou foi sobre os Direitos Humanos da Criança. Marcaram-me porque já fui grande vítima de violência a todos os níveis, desde a infância até á fase adulta. Então quando se está na abordagem sobre género, a violência não fica de fora. Eu já passei por estes aspectos e ouvir estas formações era integralmente a minha situação que estava a ser revelada e deduzi que tudo aquilo que eu estava a passar foi por falta de informação”, conta.

Mas as formações trouxeram para a vida de Albertina novas percepções da realidade em que vivia e esta tomou a decisão de se separar. Depois de perceber a forma como vivia, o ciclo de violência a que se sujeitava, Albertina decidiu usar o conhecimento que adquiriu para gerar mudanças na sua comunidade e ajudar outras mulheres. “O grande fruto dessas formações é a associação de mulheres para a promoção de Direitos humanos e combate às fistulas, AMUDHF.

Eu comecei por juntar companheiras e fazer perceber o que éramos nós mulheres e o que precisamos. Em primeiro lugar contagiei a vontade de estudar. Singularmente quando encontro uma pessoa vulnerável explico o que passei e incentivo-a a ir à escola, quando me falam de custos explico como é que eu fazia e digo como consegui recurso. Foi com base nos bordados, eu bordava e vendia e aprendi a fazer uma poupança e assim vai.

A Amudhf é membro do Nafeza que é também membro do FM. “Nós fazemos sensibilização através das mensagens que aprendemos nas capacitações. Durante essas sensibilizações nós deparamos com casos e ajudamos a fazer o devido encaminhamento. No ano passado conseguimos atingir 167 mulheres vítimas de fístula, das quais 84 foram curadas, no distrito de Mocuba e Lugela. Este ano já atingimos 60 mulheres ainda à espera da campanha para fazer a cirurgia e conseguimos resolver, pelo menos, 54 casos de violência a todos os níveis”, acrescenta.

 

 

“Eu me sinto empoderada”. Este é a certeza o que caracteriza Aruquia Paulino depois de passar pelas capacitações e formações levadas a cabo pelo FM. Aruquia é uma rapariga que encontrou no FM a oportunidade de ajudar as raparigas da sua comunidade e fazer diferença na província de Nampula, sua província. (mais…)

 

“O Fórum Mulher me ensinou a ser uma líder, eu me sinto uma líder”. Este é o sentimento de Catarina Gaspar, natural de Nampula e activista a mais de 10 anos.

Catarina beneficiou de acções formativas, palestras e conferências organizadas pelo Fórum Mulher. A mulher de 43 anos entrou no activismo através da sua mãe, membra da associação AMR de Nampula, organização que também é membro do Fórum Mulher. As acções formativas do Fórum Mulher geraram mudanças que até hoje Catrina se lembra. (mais…)

 

Ganhei a minha liberdade, por mais de 30 anos fui prisioneira na minha própria casa, no meu próprio corpo. Minha vida, foi roubada por uma norma social, por uma cultura, por uma tradição

 

Era uma vez uma joven chamada Mariamo, que era discriminada pelos colegas pela sua orientação social. Certo dia ela ela foi chamada pelo seu chefe que ele falou de uma oportunidade de continuar os seus estudos numa das melhores universidade de Londres, ela , gostou tanto tanto da ideia e descobriu afinal de contas que o seu chefe não tinha a mesma a opinião que os restantes colegas seus.

 

Sou uma mulher jovem, de uma família praticante do islamismo. Estudei na universidade de Oxford, fiz física nuclear. Tive um convite da minha universidade para dar aulas e ser pesquisadora do instituto de física nuclear. Quando me formei, voltei para casa com essa noticia. A minha família gostou de saber que me formei com destaque mas não me permitiram regressar a Oxford para continuar o meu sonho. Afinal, eu já estava prometida para casamento com um jovem de uma família de comerciantes, do Paquistão, que recebeu a minha foto a 2 anos atraz e acertou o casamento com a minha família.

 

A minha historia de vida e atípica. Vivo com o meu marido e ele é muito violento comigo. Sofro violência física e psicológica.